Nos encontros com a presidente alemã Angela Merkel, o presidente espanhol Mariano Rajoy sempre fala que o objetivo principal de seu governo é minimizar o deficit publico e dirigir todas as suas políticas públicas para conseguir esse objetivo. Assim, se aceita que o maior problema da economia espanhola é a divida do Estado espanhol (divida do governo central, autonômico, ou municipal), opinião compartilhada pelo anterior presidente Jose Luis R. Zapatero. Sua referencia constante: "Espanha não pode gastar mais do que tem".
No entanto, os dados não apoiam essa tese: se o déficit e a divida pública fossem protagonistas da crise econômica na Espanha, eles deveriam de ter sido muito altos quando começou a crise, em 2007. Mas olhando para trás, os dados não são assim: quando a crise começou em 2007, o Estado tinha um superavit do 1,9% do PIB (6 vezes maior que a economia alemã, 0,3% do PIB) e uma divida publica do 23% (a metade da divida publica alemã, 50% do PIB, e muito mais abaixo dos limites acordados no Tratado de Maastricht que obriga aos estados membros da UE a ter uma divida limite do 60% do PIB). Portanto, não é certo que a crise fosse causa de um gasto maior aos ingressos. O gasto publico não foi o problema, o déficit e a divida publica não eram altas.
O crescimento do déficit foi causado pela diminuição dos ingressos, resultado da recessão e do desemprego, prejudicando ao mesmo tempo os recortes sociais do Governo e no gasto publico (a Espanha durante a crise teve a taxa de crescimento do desemprego mais elevada da OCDE depois de EUA e Irlanda).
Ter um superavit muito maior e uma divida publica muito menor que Alemanha não nos protegeu da crise. Então, como pode se expandir a ideia que a maior causa da crise é o elevado deficit e a divida publica, quando o período que eles eram baixos não evitou os 6 milhões de desempregados que a Espanha tem agora?
O deficit publico dos EUA em 2010 foi 10,6% do PIB, maior que a media dos países da Eurozona (6%). E dentro dos EUA há um estado, California, que tem um divida publica (em términos absolutos e proporcionais) maior que a divida da Grécia o qualquer outro pais do sul da Europa. Mesmo assim, o dólar é mais estável que o euro e não é sujeito de campanhas especulativas como está acontecendo agora com o euro. O fato de que isso não aconteça não é devido a causas econômicas, nem causa financeiras. É devido exclusivamente a causas politicas. Não há que confundir os sintomas com as causas da doença.
O problema da falta de estabilidade do euro ocorre porque não há um estado que dê apoio frente aos ataques especulativos. O dólar, no entanto, tem um estado federal que o apoia (apoiando também a California agora). Que isso não ocorra na Eurozona (e na UE) é devido ao excessivo poder dos bancos nos países da UE-15 (os 15 países mais desenvolvidos da UE), a cumplicidade com as grandes corporações transnacionais, assim como as elites de cada pais. Hoje estamos vivendo a aplicação de politicas de claro corte neoliberal (desregulação dos mercados laborais, redução da proteção social publica...) que fomenta aquele modelo beneficioso para poucos.
A evidencia desse processo atual na Espanha é que os países fortes da UE e as nossas elites (bancos e grandes empresas), apoiam os recortes em gasto publico como medida para sair da crise, mesmo que a divida privada seja muito maior que a publica (4 vezes maior em 2012). Por que, então, essa vontade em reduzir a divida publica?
Informação procedente de: http://www.vnavarro.org


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