jueves, 28 de marzo de 2013

Banco Central Europeu (BCE)


Quando uma família quer comprar uma moradia, ou uma empresa quer expandir seu negocio, ou o Estado quer investir em educação, por exemplo, eles tem que pedir dinheiro, e todos eles desejam que o empréstimo seja a juros mais baixos possíveis. Por outro lado, os credores (os bancos geralmente) desejam que os juros sejam mais elevados possíveis. Existe aí um conflito entre credores (bancos) e devedores (cliente). É daí que todas as sociedades criaram entidades públicas que garantiram a existência do crédito (capacidade para conseguir dinheiro), para responder às necessidades da cidadania e à economia. Elas são os Bancos Centrais, e são precedidos por grandes movimentos sociais que exigiram esses estabelecimentos. Assim, nos EUA, em 1913 foi criado o Banco Central dos EUA, o Federal Reserve Board (FRB), para garantir a existência de crédito.
Desde o começo, ele foi sujeito ao conflito de interesses entre os bancos, que queriam minimizar a circulação de dinheiro para reduzir as probabilidades de inflação (baixo preço do dinheiro) e assim o dinheiro tivesse um valor alto (juros se elevassem). Os usuários (trabalhadores e demais) queriam o contrário: maior circulação do dinheiro, para que assim fosse mais fácil obter crédito. Até a chegada de Roosevelt (o mais popular presidente dos EUA), o FRB era composto principalmente por bancos, e só se preocupava com os níveis de inflação. Nesse momento, Roosevelt estabeleceu o New Deal e muitas outras reformas, mudando a estrutura e os objetivos do FRB: a disponibilidade de crédito era prioritária sobre o controle da inflação. Essas foram as bases da saída da Grande Depressão. Por lei, o FRB deve exercer as duas funções: estimular o crescimento econômico (facilitando o crédito) e controlar a inflação.
Embora a saída da Grande Depressão tenha feito voltar o controle do FRB aos bancos - causa das novas crises que se seguiram - os EUA conseguem recuperar sua economia mais rápido que a Europa, por conta da função do FRB de priorizar a disponibilidade de crédito frente ao controle da inflação. Não acontece assim em nosso continente europeu, onde o Banco Central Europeu (BCE) tem como missão apenas controlar a inflação. Essa é a causa do forte domínio do Banco Central Alemão (o Bundesbank) sobre o BCE. O Bundesbank é conhecido por sua obsessão pela inflação, sem ter interesse na produção do emprego mediante a facilitação de crédito.
Esse objetivo de controlar a inflação é compartilhado pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento (1997) e agora pelo Pacto Fiscal, que obriga os estados a manter um déficit público menor que 3% e maior que 0,5% do PIB. A palavra "Crescimento" só foi somada pela pressão francesa do governo socialista do Sr. Jospin, mas não significa nada, porque o Pacto não foi dotado nem de fundos nem de mecanismos para estimular a economia e gerar emprego, repetindo a situação com o atual Pacto Fiscal que após a pressão francesa do atual presidente Sr. Hollande, o nome oficial é Tratado de Estabilidade, Coordenação e Governança na UE, também sem mecanismos para favorecer o crédito. O grande poder dos bancos na Europa, maior que nos EUA, explica porque ninguém fica preocupado por criação de emprego no BCE.
É muito improvável que possa voltar a economia da Eurozona (particularmente a economia dos países da periferia como Espanha, Portugal, Itália, Grécia, e Irlanda) sem uma mudança profunda parecida com a do FRB no BCE. Nem é preciso dizer que o FRB também tem doenças que precisam ser curadas, como bem fala a esquerda americana, mas neste momento, ele está servindo melhor aos cidadãos americanos do que faz o BCE aos europeus.

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