Quando
uma família quer comprar uma moradia, ou uma empresa quer expandir
seu negocio,
ou o Estado quer investir em educação, por exemplo, eles tem que
pedir dinheiro, e todos eles desejam que o empréstimo seja a juros
mais baixos possíveis. Por outro lado, os credores (os bancos
geralmente) desejam que os juros sejam mais elevados possíveis.
Existe aí um conflito entre credores (bancos) e devedores (cliente).
É daí que todas as sociedades criaram entidades públicas que
garantiram a existência do crédito (capacidade para conseguir
dinheiro), para responder às necessidades da cidadania e à
economia. Elas são os Bancos Centrais, e são precedidos por grandes
movimentos sociais que exigiram esses estabelecimentos. Assim, nos
EUA, em 1913 foi criado o Banco Central dos EUA, o Federal Reserve
Board (FRB), para garantir a existência de crédito.
Desde
o começo, ele foi sujeito ao conflito de interesses entre os bancos,
que queriam minimizar a circulação de dinheiro para reduzir as
probabilidades de inflação (baixo preço do dinheiro) e assim o
dinheiro tivesse um valor alto (juros se elevassem). Os usuários
(trabalhadores e demais) queriam o contrário: maior circulação do
dinheiro, para que assim fosse mais fácil obter crédito. Até a
chegada de Roosevelt (o mais popular presidente dos EUA), o FRB era
composto principalmente por bancos, e só se preocupava com os níveis
de inflação. Nesse momento, Roosevelt estabeleceu o New Deal e
muitas outras reformas, mudando a estrutura e os objetivos do FRB: a
disponibilidade de crédito era prioritária sobre o controle da
inflação. Essas foram as bases da saída da Grande Depressão. Por
lei, o FRB deve exercer as duas funções: estimular o crescimento
econômico (facilitando o crédito) e controlar a inflação.
Embora
a saída da Grande Depressão tenha feito voltar o controle do FRB
aos bancos - causa das novas crises que se seguiram - os EUA
conseguem recuperar sua economia mais rápido que a Europa, por conta
da função do FRB de priorizar a disponibilidade de crédito frente
ao controle da inflação. Não acontece assim em nosso continente
europeu, onde o Banco Central Europeu (BCE) tem como missão apenas
controlar a inflação. Essa é a causa do forte domínio do Banco
Central Alemão (o Bundesbank) sobre o BCE. O Bundesbank é conhecido
por sua obsessão pela inflação, sem ter interesse na produção do
emprego mediante a facilitação de crédito.
Esse
objetivo de controlar a inflação é compartilhado pelo Pacto de
Estabilidade e Crescimento (1997) e agora pelo Pacto Fiscal, que
obriga os estados a manter um déficit público menor que 3% e maior
que 0,5% do PIB. A palavra "Crescimento" só foi somada
pela pressão francesa do governo socialista do Sr. Jospin, mas não
significa nada, porque o Pacto não foi dotado nem de fundos nem de
mecanismos para estimular a economia e gerar emprego, repetindo a
situação com o atual Pacto Fiscal que após a pressão francesa do
atual presidente Sr. Hollande, o nome oficial é Tratado de
Estabilidade, Coordenação e Governança na UE, também sem
mecanismos para favorecer o crédito. O grande poder dos bancos na
Europa, maior que nos EUA, explica porque ninguém fica preocupado
por criação de emprego no BCE.
É
muito improvável que possa
voltar a economia da Eurozona (particularmente a economia dos países
da periferia como Espanha, Portugal, Itália, Grécia, e Irlanda) sem
uma mudança profunda parecida com a do FRB no BCE. Nem é preciso
dizer que o FRB também tem doenças que precisam ser curadas, como
bem fala a esquerda americana, mas neste momento, ele está servindo
melhor aos cidadãos americanos do que faz o BCE aos europeus.



