Espanha é o único país da Europa com mais de um milhão
de habitantes que ainda não garante o direito de acesso a informação pública.
Segundo a informação divulgada pelo jornal El País, mesmo com a nova lei que
está sendo debatida no Congresso nesses dias, a Espanha vai continuar atrasada em
comparação a outros países democráticos.
"A lei não está a altura. O Executivo focou sua
atenção no bom governo e esqueceu a transparência real. A lei deveria dar o
direito a todas as pessoas de pedirem qualquer informação a qualquer
Administração, em qualquer formato", confirma Victoria Anderica, pesquisadora e coordenadora de Acces
Info Europe.
O projeto de lei foi aprovado no Conselho de Ministros
no dia 27 de julho do ano passado, após passar por um período de consulta pública.
O texto fica agora nas Cortes para ser melhorado com as contribuições dos
partidos políticos. É importante dizer, que semana passada, os principais
partidos de Espanha e casualmente os mais ricos, os nacionalistas catalães
Convergencia i Unio (CiU), os nacionalistas bascos Partido Nacionalista Vasco
(PNV) e o principal partido opositor (PSOE) anularam suas contribuições anteriormente
à apresentação de emendas no Congresso. Segundo os comentários de vários
jornalistas, o Governo do PP poderia ter feito um pacto com esses partidos,
para proteger os privilégios políticos, o que gerou reclamações dos partidos
minoritários, UPyD (Unión, Progresso y Democracia) e IU (Izquierda Unida) e das
organizações sociais que lutam contra a corrupção e pela transparência.
Coalizão pro Acesso, grupo onde participam
organizações como Anistia Internacional, Ajuda em Ação, Associação de Imprensa,
Greenpeace e Intermón Oxfám, temem que as principais formações políticas não
prestem nenhuma atenção as contribuições enviadas durante o período de consulta
publica.
Os pontos mais criticados da nova lei são:
1º. O direito a informação, um direito fundamental
O direito a informação aparece no texto relacionado ao
artigo 105 da Constituição sob acesso a arquivos e registros. Embora a Coalizão
pro Acesso considere que esse direito tem que ser um direito fundamental, e portanto,
estar ligado ao artigo 20 da Constituição. Desse modo, a lei deveria se
tramitar como lei orgânica e não como lei ordinária.
2º. A extensão da lei deve ser maior
O texto deixa os partidos políticos, sindicatos e a
Casa Real fora do controle. A Coalizão critica duramente essa exclusão "É
preciso observar as contas dos partidos e sindicatos. As formações recebem
subvenções públicas, têm muitas dívidas e trocam favores. A lei de financiamento
dos partidos políticos é claramente ineficaz (tendo em conta os últimos
escândalos de corrupção) sendo preciso que a transparência chegue a essas
entidades para que os cidadãos confiem de novo nelas".
3º. Problemas com a publicação
de informação
Os informes finais das auditorias feitas pelos órgãos
de controle interno não serão publicadas. Também não o patrimônio (prédios,
terreiros, veículos...) que tem os 21.000 organismos públicos espanhóis, o que
gera um menor controle das administrações publicas.
A Coalizão também não concorda com o portal de
informação onde o Governo quer colocar a informação pública. Segundo os
argumentos da organização, seria muito melhor imitar aos outros países com leis
de transparência na Europa que colocam os dados na web de cada instituição
correspondente, e não todos misturados no mesmo lugar.
4º. Mudar o silêncio administrativo
negativo por um silêncio positivo
De acordo com a atual elaboração da lei, se acabar o
prazo para contestar e a instituição não der uma resposta, se entende que a solicitação
do cidadão foi negada. Para a Coalizão, tendo em conta que na Espanha, mais do
50% das solicitações ficam sem resposta, estabelecer um silêncio negativo teria
consequências negativas. Portanto, pedem uma resposta da Administração, independente
de a solicitação ter sido aceita ou negada. Um silêncio positivo que lute
contra a preguiça da Administração.

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