Atualmente,
na Espanha, estamos vivendo as consequências negativas da bolha
imobiliária, durante a qual se construíram, entre 2002 e 2007, mais
casas do que na França e Alemanha juntas (as duas com o
dobro da
população e o triplo do território da Espanha). Esse processo de
construção descontrolada permitiu grandes benefícios econômicos
ao setor da construção imobiliária, que, aliada aos poderes
políticos locais, usaram os mecanismos de reclassificação e
requalificação do terreno para adicionar mais zeros a seus lucros.
O período é conhecido como "boom
urbanístico".
Nesse
processo, não só se utilizou dinheiro das companhias, mas também
dinheiro emprestado. Assim, durante todos esses anos, a economia
espanhola viu como seu endividamento privado disparou ao ritmo do
crescimento. As grandes empresas da construção aumentavam suas
dívidas para iniciar mais construções, bem como as famílias
(especialmente as ricas para logo revender a maior preço)
multiplicando seu endividamento para comprar muitas moradias e poder
participar da orgia especulativa. O acesso à União Européia tinha
desmantelado o setor industrial e agrário espanhol, assim que o
binômio construção-imobiliárias se converteu em motor de
crescimento e criação de emprego. Quando a batata quente explodiu e
já ninguém mais queria comprar vivendas, tudo acabou. As
construtoras tiveram que fechar e tirar milhares de trabalhadores,
sendo que seus ativos (moradias, terreno, empréstimos, etc)
passaram a fazer parte dos bancos e caixas, quando não puderam
pagar suas dívidas.
A
situação se agravou porque aqueles bancos e caixas tinham, ao mesmo
tempo, dívidas com bancos estrangeiros. Além disso, as vivendas,
terreno construível e outros ativos já não tem o mesmo preço que
antes. Algumas/os, já não valem nada. Assim, muitos bancos tiveram
e tem que ser resgatados com dinheiro público, ou seja, todos nós,
para fazer frente a suas dividas (já sabe, o beneficio sempre é
privado, a dívida é pública). O problema veio quando não tínhamos
dinheiro suficiente para resgatar aos nossos bancos avaros. Pedimos
ajuda ao BCE (Banco Central Europeu), e ele aceitou resgatar, mas com
fortes condições econômicas para nós. Uma delas é a criação do
"banco ruim".
Para
falar do "Banco Ruim", primeiro precisamos conhecer a
situação atual dos nossos bancos, pois hoje alguém pode escutar
que os bancos espanhóis têm problemas, ao mesmo tempo que na mídia
aparecem seus elevados lucros econômicos durante os anos de crise.
Concretamente, segundo a Associação Espanhola de Banca (AEB), os
bancos espanhóis conseguíram benefícios de 22.400 mill € em
2008, 14.943 mill € em 2009, e 15.000 mill € em 2010. Como é
possível?
Os
lucros de uma empresa se calculam sob papel, somando todos os
ingressos e tirando todos os gastos. Mas essas cifras podem ser
manipular de formas diferentes, de maneira que se pode influir no
resultado das contas (normalmente não por muito tempo, a verdade
sempre chega).
O
caso dos bancos é surpreendente. Eles possuem uma quantidade
elevada de ativos tóxicos: título que o banco possui com um
determinado valor, embora seu valor verdadeiro seja muito mais baixo,
ou nulo. Um exemplo: um empréstimo que um banco realizou a uma
companhia imobiliária, e que não pode recuperar devido à
insolvência da companhia. Nas contas do banco aparece que ele vai
recuperar o empréstimo inicial, 10.000 € por exemplo, e portanto
aparece como riqueza que tem (vai ter). Mas, se a companhia não pode
pagar sua dívida, o banco só tem esse dinheiro sob papel. Em teoria
vai recuperá-lo algum dia, mas na realidade nunca vai.

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